Redução da jornada de trabalho divide opiniões

Para
sindicalistas, proposta geraria 2,5 milhões de novos empregos

Fonte: Jornal Bom Dia / Aline Mustafa

À espera de votação na Câmara e no Senado, a redução de jornada de 44 horas
para 40 horas semanais gera opiniões contrárias. O assunto foi tema de uma
manifestação nesta semana, em Brasília, na 6ª Marcha da Classe Trabalhadora.
Para o coordenador técnico do Diesat (Departamento Intersindical de Estudos e
Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho), Wilson Cesar Ribeiro Campos, a
proposta é positiva aos trabalhadores desde que não signifique aumento no ritmo
do trabalho, o que pode ser prejudicial ao trabalhador.
"A redução da jornada deve servir para compensar o aumento de produtividade
alcançado nas últimas décadas e tem de gerar aumento do número de trabalhadores
empregados", enfatiza.
Para os sindicalistas, a redução da jornada de trabalho geraria 2,5 milhões de
novos empregos. O impacto sobre os custos das empresas seria de 1,99%.
Dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Aplicada) revelam que é crescente o percentual
de brasileiros ocupados que cumprem jornada acima de 44 horas - as horas
extras. Esse percentual era de 30,6% em 1988 e pulou para 43,6%, em 2007
Econômica.
Wilson acredita que o Congresso dificultará a aprovação do projeto. "A forma
como o Brasil enfrentou e saiu desta crise econômica demonstra que nossa
economia é forte se tivermos um mercado fortalecido pela massa de
trabalhadores. Esse é o principal fator contra o argumento de que a redução da
jornada irá acarretar um custo maior para as empresas", enfatiza.
O advogado trabalhista Marcos Vinicius Poliszezuk avalia que o projeto
dificilmente será aprovado devido ao aumento no custo da produção dos
empresários e consequente diminuição de seus lucros. "Não se trabalha
apenas 8 horas diárias numa empresa, e sim, as 24 horas. Neste patamar, se
levada em consideração a necessidade do mercado, a redução das 44 horas
semanais é prejudicial",analisa.